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onstruída
no início de 1900, a capela de Nosso Senhor do Bonfim,
em Correias, é um belo exemplo do barroco luso brasileiro
- o mais expressivo estilo artístico do período
colonial. Restaurada, a capela é hoje ponto de referência
na região, atraindo moradores e visitantes que podem
admirar em seu interior peças históricas
como a imagem do Senhor do Bonfim, com mais de 200 anos.
A região do Vale
do Bonfim, onde se localiza a capela, pertencia à fazenda
da família Palia, que acabou vendida, no final do século
XIX, para o empresário Franklin Sampaio. O novo proprietário
costumava passar féria e finais de semana na fazenda,
e ali chegou a construir um jardim zoológico com onças,
tigres e aves, entre outros animais. E quando um de seus filhos,
Jorge, anunciou que iria se casar, decidiu então construir
uma capela para a cerimônia.
Surgia assim a singela
e belíssima arquitetura da capela do Nosso Senhor do
Bonfim. Mas antes de ser oficializada com este nome, a capela
teve dois outros: inicialmente, foi batizada de Nossa Senhora
do Carmo e, mais tarde, passaria a constar, na Carta Geográfica
do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística),
como igreja de Santo Antônio do Bonfim.
Atração
turística - Após o falecimento de Franklin,
porém, a fazenda foi abandonada pelos herdeiros. Sem
ser usada para cerimônias religiosas, a capela, em meio
a montanhas verdes de Mata Atlântica, passaria então
a servir de dormitório para excursionistas que faziam
a travessia da Pedra do Açu - um dos pontos turísticos
da região, com 2.232 metros de altitude -, a caminho
de Teresópolis.
No entanto, com o tempo,
a comunidade do Vale do Bonfim se mobilizou e restaurou a
capela. Atualmente com jardins impecáveis e muito bem
cuidada, a capela tornou-se atração turística,
além de atender a moradores da região. Suas
missas semanais ocorrem às terças-feiras, às
20h. Uma vez por ano, na primeira semana de setembro, é
promovida ali a festa do Nosso Senhor de Bonfim, com direito
a quermesse e procissão.
Devido a sua belíssima
restauração, a capela já foi palco até
agora de cinco casamentos. Um dos casamentos oficializados
na capela foi o da jornalista Celina Côrtes com o engenheiro
mecânico Mário Lacombe de Góes Vasconcellos.
Foi um reencontro de raízes. Bisneta de Franklin Sampaio,
Celina ficou emocionada ao ver a belíssima restauração,
que preservou suas características históricas.
A história
da arte barroca
A arte barroca nasceu
no início do século XVII, na Itália,
e estendeu-se por toda a Europa e América Latina, onde
se desenvolveu durante o século XVIII e início
do XIX. Com o crescente alastramento do protestantismo, a
Igreja Católica promoveria o movimento da Contra-Reforma,
passando a utilizar o barroco como principal instrumento de
afirmação e persuasão da fé cristã.
Um dos mais belos exemplos
da arquitetura barroco luso brasileira é a Igreja de
Nossa Senhora da Glória. A capela de Nosso Senhor do
Bonfim guarda semelhanças com o chamado Outeiro da
Glória. Construída em 1739, já foi uma
das mais freqüentadas pela sociedade carioca, sendo também
a igreja predileta da família real. Ali, Dom Pedro
I batizou seu primogênito, que se tornaria mais tarde
o imperador Dom Pedro II. Em seu reinado, Dom Pedro II daria
à irmandade local o título de Imperial Irmandade
de Nossa Senhora da Glória do Outeiro.
Devido à época
de sua edificação, constitui-se um monumento
de grande importância arquitetônica para a cidade
do Rio de Janeiro e para o Brasil. No interior da igreja,
barras de azulejos setecentistas, com desenhos e composição
barroca, são um destaque na decoração
das paredes. No edifício Glória do Outeiro,
na parte posterior da igreja, foi instalado o Museu da Imperial
Irmandade de Nossa Senhora da Glória do Outeiro.
Em relação à arte
barroca, o grande ícone brasileiro foi Antônio
Francisco Lisboa, o Aleijadinho, que aprimorou suas obras
até atingir o nível da genialidade, apesar da
doença degenerativa que lhe deixou deformado.
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