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Lembranças do matinho
Usando calça cigarette, ao estilo Brigitte Bardot, conjunto de blusa e casaquinho de Banlon, sapato baixo e meia soquete, Ioana foi uma cliente das mais animadas do Bia´s Bar. Animada e sapeca já que confessa ter fugido de casa muitas vezes, pulando a janela do quarto, para ir escondida ao Bia`s. Mas claro que ela não ia sozinha. O resto da turma estava esperando dentro do carro que, muito espertamente, era deixado com o motor e os faróis desligados para não acordar o pai da moça, considerado uma fera.
Tudo muito normal, afinal estamos falando de uma época onde tudo era proibido. Só no final dos anos 60 é que as coisas começam a afrouxar. Woodstock é a prova disso. Mas enquanto isso, é claro, todo muito dava um jeitinho de dar uns beijinhos e Ioana, no caso, é que é a prova disso: “ Tive uma mocidade muito gostosa aqui em Itaipava e o Bia`s Bar, com certeza, faz parte dessa lembrança. O Bia´s vivia lotado e o zum-zum-zum do lado de fora era tão divertido quanto o lado de dentro. A música era espetacular. Eu adorava dançar mas era um pouco tímida então eu tomava um Hi-Fi e acendia um cigarro, achava aquilo o máximo. Não tinham muitas músicas que davam para dançar de rosto colado mas na hora do twist as pernas se encostavam um pouco e rolava um clima diferente. Mas bacana mesmo era quando o trem apitava para avisar que estava chegando e todo mundo saia correndo do bar para ver ele passar, o Bia´s esvaziava. Só que muitos iam e poucos voltavam. É que tinha um matinho...”
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